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Tudo ficaria mais fácil se “déssemos o braço a torcer”

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Em todos os segmentos, as coisas têm se complicado por falta de diálogo. As pessoas são incapazes de admitir os seus próprios erros e não conseguem reconhecer que seus oponentes podem ter razão, em alguns casos.

Quase sempre achamos que as pessoas do “outro lado” estão completamente erradas. E, por isso, não estamos dispostos a “dar o braço a torcer”. É claro que algumas questões são inegociáveis, não cabendo concessão alguma, como as que envolvem doutrinas bíblicas.

Há também situações em que todas as tentativas de conciliação entre as partes se esgotam. Isso ocorre, de modo geral, quando as pessoas envolvidas (ou pelos menos uma delas) têm como motivação o ódio, a inveja, o despeito, o sentimento de vingança, complexos de superioridade ou inferioridade, etc. Nesse caso, devemos atentar para o que está escrito em Romanos 12.18: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”.

Eu mesmo já tentei resolver alguns casos melindrosos. Fiz concessões, pedi perdão, reconsiderei... Tudo em vão. Esse negócio de “dar o braço a torcer” só funciona quando ambos os lados fazem a sua parte.

Por que o Estado palestino ainda não foi estabelecido? Isso não devia ter ocorrido em 1948, quando as Nações Unidas fizeram a partilha da Palestina? Por que o conflito israelo-palestino parece não ter fim? Ora, como haverá acordo de paz no Oriente Médio se Israel e Autoridade Nacional Palestina (ANP) não “derem o braço a torcer”?

Israel até concorda com a criação do Estado da Palestina e está disposto a ceder parte do seu território. Foi o que declarou, recentemente, o premiê israelense Benjamin Netanyahu, em Washington, D.C., Estados Unidos. Entretanto, os líderes da ANP, além de não abrirem mão de Jerusalém, querem a extinção do Estado de Israel.

No Brasil, o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis), através de seus representantes políticos, quer impor o PLC 122, projeto de lei abusivo, anticonstitucional, que, sob a égide do combate à homofobia, privilegia os homossexuais, em detrimento do cidadão comum, contrário à ideologia elegebetista. Por que os homossexuais e simpatizantes não “dão o braço a torcer” e reconhecem que criticar conduta, de quem quer que seja, não constitui discriminação e ódio?

Por outro lado, há evangélicos extremistas (poucos, graças a Deus) que, em vez de verberarem contra o homossexualismo e o pecado da homossexualidade, atacam a pessoa do homossexual. Isso é um grande erro! Até mesmo no Antigo Testamento a ênfase recai sobre o ato pecaminoso da pederastia, e não sobre o praticante desse ato: “Com varão te não deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Lv 18.22). O que é abominação? As pessoas dos homossexuais ou o pecado que elas praticam? O pecado. Os pecadores são criaturas de Deus e devem receber de nossa parte amor e compaixão, e não ódio e discriminação (Mt 9.36).

Tenho orgulho de pertencer à Assembleia de Deus (Assembleia de Deus, mesmo!), uma igreja vigorosa, formada por pessoas simples, amantes da Escola Bíblica Dominical, fervorosas e compromissadas com a oração e a evangelização. Mas ela tem sofrido na mão de alguns líderes que nunca “dão o braço a torcer”. No caso do centenário, que ocorre neste mês, uns dizem que só a igreja-mãe, em Belém do Pará, tem direito de comemorá-lo. Outros reagem e dizem que o centenário é de todo o povo assembleiano. Quem está com a razão?

Na verdade, a festa do centenário é da igreja-mãe, em Belém do Pará, e também de toda a Assembleia de Deus, que ali começou. Mas certos líderes não querem se entender. São incapazes de concordar com aqueles que estão “do outro lado”. Eles preferem discordar de tudo que os “adversários políticos” falam, mesmo que estejam certos. “Ah, ele falou isso? Ele pensa assim? Então, nós vamos fazer de outro jeito?” Como ninguém está disposto a “dar o braço a torcer”, as disputas inglórias, egoísticas e interesseiras, que a nada levam, vão continuar pipocando aqui e ali.

Em resumo, o que eu quis dizer, por meio deste artigo, é que o mundo seria muito melhor se o ser humano fosse capaz de fazer certas concessões que viessem a beneficiar todas as pessoas envolvidas em uma demanda. Mas, para isso acontecer, precisamos estar dispostos a negar a nossa própria natureza egoísta, a fim de agirmos com altruísmo e justiça, andando como Jesus andou (1 Jo 2.6).

Autor: Ciro Sanches Zibordi