MIDIA GOSPEL

Sáb12032016

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Graça Sobre Graça

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Bonecos de Papel de Mãos Dadas
Durante muitos anos tentei viver a vida cristã movido por culpa. Como 'culpólatro' precisava de doses repetidas (e, às vezes, mais fortes) para produzir o mesmo efeito, ou seja, para manter as “disciplinas” da vida cristã. Meu problema foi que a lista de 'disciplinas cristãs' não tinha fim: hora silenciosa, memorização de versículos, freqüência em todos os cultos da igreja, dízimos e ofertas, jejum, serviço cristão, evangelismo, retiros espirituais, meditação e muito mais. Pelo muito esforço, motivado pela culpa, conseguia manter uma ou outra disciplina por um certo período. Mas com o tempo, a culpa foi perdendo seu poder motivador. E eu ficava exausto, pensando que a vida cristã era como montanha de gelo, e que para cada dois passos que avançava, deslizava três para trás.

Minha frustração e exaustão na vida cristã me levaram a concluir que algo estava errado. De fato, eu tinha perdido de vista a verdadeira base da vida cristã. Onde estava a vida em abundância que Jesus prometera (Jo 10:10)?

Achei a resposta quando “descobri” que o projeto de Deus para mim se encontra na graça de Jesus! Mesmo sendo crente em Cristo, EU estava tentando viver a vida cristã pelo esforço próprio, quando de fato somente Cristo Jesus é capaz de viver a vida cristã. Havia esquecido do que chamo o “outro lado do evangelho”.

O verdadeiro evangelho inclui não somente o perdão baseado na cruz de Cristo, mas também o poder para viver a vida de Cristo, baseado em Sua ressurreição.

1) Cristo morreu na cruz, tornando o perdão do pecado uma realidade diária em nossa vida (e na convivência com outras pessoas!)

2) Cristo ressuscitou dos mortos para viver a Sua vida através de nós, a vida cristã.

O problema vem quando tentamos fabricar uma vida cristã através de muitas 'técnicas', fórmulas e regrinhas externas, sem transmitirmos uma dependência em Cristo para mudança permanente e interior. Cristo, não a culpa, é o segredo da vida cristã. Viver essa vida pela culpa, pelo ativismo, pelo desempenho, só leva à sequidão do galho separado da videira (Jo 15:1-5). Em outras palavras, “sem mim, nada podeis fazer”.

O projeto de Deus para minha vida implica numa dependência diária dEle e da Sua graça para produzir a vida de Cristo em mim! Esse projeto se resume em João 1:16: Porque todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. A frase “graça sobre graça” traz a idéia de ondas do mar. Mal chega uma primeira onda na praia, e outra está logo atrás, tomando seu lugar. Assim é a graça imerecida de Deus em nossas vidas!

Infelizmente, a maioria não vive esta realidade da graça de Deus, nem na salvação, muito menos na santificação. Todas as religiões do mundo, menos o verdadeiro cristianismo, se opõem à idéia da graça na salvação. As boas novas do evangelho incluem, em primeiro lugar, o fato de que a cruz de Cristo nos proporciona o perdão de Deus--de graça! Não podemos nos aperfeiçoar pelo desempenho, pelo auto-sacrifício ou por nosso próprio esforço. A Bíblia afirma que Deus perdoa completamente os que abraçam pela fé o sacrifício de Jesus em seu lugar

A cruz de Cristo nos liberta para experimentar o perdão de Deus dos nossos pecados. Mas se pararmos com o perdão de Deus, teremos somente metade das “boas novas” do evangelho: A ressurreição de Cristo permite que a vida de Cristo seja vivida através de nós.

Se foi pela cruz de Cristo que recebemos o perdão do pecado, na sua ressurreição adquirimos o poder para que a vida de Cristo seja vivida através de nós. Morremos com Cristo na cruz, mas vivemos com Ele em Sua ressurreição. Ele não ressurgiu para nos 'reformar', mas para que pudesse viver Sua vida através de nós (2 Co 5:21, Rm 6:4,5; Rm 8:29; 2 Co 3:18). Somente Cristo pode viver a vida cristã! Gálatas 2:20 nos diz

'Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e a si mesmo se entregou por mim.' Gálatas 2:20

Autor evangélico Bob George resume o impacto transformador desta verdade:
Jesus Cristo, vivo espiritualmente, entregou sua vida por nós. Por quê? Para que ele pudesse dar sua vida para nós... Enquanto a mensagem do perdão divino pela cruz alivia nossa culpa e nos dá certeza sobre onde iremos quando morrermos, não nos dá o poder para viver aqui e agora. É pela ressurreição de Cristo que recebemos Sua própria vida pela presença do Espírito Santo.... Cristo não veio para me 'ajudar' a servir a Deus; Ele veio para viver Sua vida através de mim! (Classic Christianity, pp. 51,52).

Qual a diferença que esse plano gracioso de Deus faz em minha vida?
1) Vivo como filho amado de Deus, seguro em minha posição filial, não com o medo de um escravo que teme perder sua aceitação diante do Mestre.

2) Sirvo a Deus pela gratidão pelo que Ele já fez por mim, não para ganhar mais dEle (Ef 1:3).

3) Pratico as “disciplinas” da vida cristã para crescer na graça (2 Pe 3:18), para contemplar a imagem e a glória de Cristo (2 Co 3:18) e por sentir minha extrema necessidade dEle (1 Pe 2:2).

4) Encontro liberdade para “abaixar a máscara” e ser transparente em meus relacionamentos e meu ministério com outras pessoas, sem tentar projetar uma imagem que ainda não alcancei.

5) Ministro a graça de Deus para outros enquanto mantenho o alto padrão de santidade das Escrituras.

6) Vivo ciente da minha eterna necessidade de dependência em Cristo momento após momento, pois por mim mesmo sou incapaz de viver a vida cristã.

7) Vivo “a nível do coração” e não das aparências, ajudando a mim mesmo, a meus filhos e outros discípulos a reconhecerem nossa pobreza de espírito e necessidade de Cristo.

Infelizmente, uma vez “culpaólatra”, sempre “culpaólatra”. Mas aos poucos estou aprendendo que uma vida debaixo da culpa não é o projeto de Deus para mim. Deus me oferece uma vida debaixo da Sua infinita graça. Graça no lugar de graça, como ondas do mar--primeiro na salvação, depois na santificação. Essa graça me motiva hoje mais de toda a culpa acumulada do passado. Dou graças a Deus pela Sua graça, pois “graça” resume o projeto de Deus para nós!