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Cristão, Pondere Tuas Veredas

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Quem opta pelo caminho estreito adere a uma guinada radical na vida. Muitas pessoas vivem aflitas porque constatam que estão paradas na esquina e não conhecem o caminho.

Viver é escolher uma direção e seguir. Na Bíblia Sagrada, é muito recorrente a representação da condução da vida através da imagem de um caminho, e o tempo da existência humana como uma jornada, que pode ser longa ou curta. Os obstáculos da vida são tratados como buracos e abismos. A tomada de uma decisão é como dar passos seguros; o arrependimento, como o retorno por uma estrada solitária. A reconstrução de uma cidade é como a pavimentação de uma estrada. O céu, como ruas de cristais e pedras preciosas.

A força dessa imagem também está bem presente na literatura, nas suas diferentes expressões. Para ficarmos com um exemplo, diz o poeta Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra; tinha uma pedra no meio do caminho; tinha uma pedra; no meio do caminho tinha uma pedra...”. Sendo caminho a palavra-chave nos seus múltiplos sentidos literários, cite-se também o Poeminha do contra, de Mário Quintana: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão... Eu passarinho!”

É fato que uma estrada bem sinalizada e adequadamente pavimentada ajuda quem caminha a percorrer as distâncias e a achar o sentido correto. Muitas pessoas vivem aflitas porque constatam que estão na esquina e não conhecem o caminho. Colocar o pé em determinada estrada define, além do ponto aonde se pode chegar, o cenário com o qual se conviverá pelo caminho. Admitimos que os próximos passos nos levarão a novas e imprevistas situações – contudo, onde estiver a expressão humana, aí haverá o aleatório, o imponderável, o mistério, a surpresa, o fortuito, o acidental.

Na versão do existencialismo filosófico, estamos destinados à liberdade. Isto é, de acordo com a representação da vida com a qual estamos lidando, temos a responsabilidade frequente de escolher caminhos e assumir direções. Há quem se apavore com o desconhecido, mas existem aqueles que encaram os caminhos novos como o próprio fascínio que é viver.

Jesus mencionou dois caminhos opostos: um largo e um estreito. Enquanto o primeiro conduz ao desperdício da vida, o outro conduz à vida plena. No ensino do Mestre, a força atrativa da multidão seduz a muitos. Neste plano, funciona a lógica de que o caminho bom é aquele que exige o menor esforço. Então, basta seguir; nada de ponderação. Não adianta pensar em consequências, uma vez que a pulsação do momento justifica os passos de agora. A multidão é pouco afeita às placas educativas; prefere os letreiros iluminados. Aquele que adere aos passos da multidão não pergunta pelo sentido certo, mas reclama aceitação. Só que quem vive para ser aceito pode chegar ao fim e concluir que não viveu a sua própria vida.

Já o caminho estreito acentua a responsabilidade de cada escolha. Quem o segue jamais perde a noção de si mesmo, ainda que veja os outros que no caminho estão. Jesus não fala do caminho estreito como se fosse martírio auto imposto. A realidade não é encoberta: viver é correr riscos frequentes. Quem opta pelo caminho estreito adere a uma guinada radical na vida. Enquanto na via larga segue-se a multidão, no rumo estreito segue-se aos passos de Cristo.

Quem nunca se sentiu perdido na vida, sem saber a direção, com a impressão de que cochilou e passou do ponto? Pois é nestas horas-limite que olhamos para Deus, erguemos as mãos trêmulas e pedimos: “Guia-nos pelo caminho eterno!”. O grande perigo é continuar seguindo, mesmo quando não se sabe para onde. Os humildes aprendem que retratar-se é melhor do que andar perdido. Seria ótimo se desenvolvêssemos a disposição de apresentar nossa vida a Deus, a fim de que ele a corrigisse sempre que necessário. Todavia, essa postura humilde não encontra eco na vida moderna, em que todos são estimulados a escolher o seu próprio caminho e seguir até o fim, sem olhar para trás nem para os lados.

Aquele que se propõe a seguir a jornada ao lado do Senhor encontra o estímulo certo nas Escrituras: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” (Provérbios 3.5-7). Voltar atrás nem sempre é possível, mas os tropeções que demos não nos deixam derrubados para sempre. E nunca é tarde para atentar ao caminho que se segue: “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Provérbios 4.26,27).

Autor: Valdemar Figueredo