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Alice Cooper diz que lê a Bíblia e dá aulas de cristianismo

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Astro do rock diz que lê a Bíblia e dá aulas de cristianismo

Ele se considera o Darth Vadder do rock’n’roll. Ou o Hannibal Lecter. O vilão, na realidade, não importa. Toda vez que sobe num palco, Alice Cooper precisa se transformar no personagem que criou para si mesmo em 1964. Hoje, aos 63 anos, esse senhor leva uma vida de ator. Durante o dia, reza duas vezes, joga golfe com os amigos músicos – e é o melhor deles, garante –, e, eventualmente, dá aulas de cristianismo. À noite, passa pó branco no rosto, pinta olheiras enormes, canta rock’n’roll em canções que falam até de necrofilia e brinca com cobras. Ele não vê problema nessa interessante dicotomia: “Não tem nada na Bíblia que proíba alguém de ser um rock star”, diz o músico. Por telefone, do Canadá, o simpático Alice Cooper falou ao JT sobre drogas, sua paixão por golfe e, claro, música.

Seu primeiro show no Brasil foi em 1973, logo depois de você ter lançado o ‘School’s Out’. São 37 anos de diferença. Muita coisa mudou, na música, nos fãs. O que você espera dessas apresentações que fará no Brasil?
Não tem muito o que esperar. O que sempre pensamos quando imaginamos um show no Brasil é que o público brasileiro cante e grite muito alto. Já fui para o seu país umas quatro ou cinco vezes. Sempre gostei muito de como os fãs de rock me receberam aí.


E o que os fãs podem esperar dos seus shows por aqui?
Cara, vocês vão ver todos os grandes hits do Alice Cooper. Meu show é sempre altamente teatral. Temos muitas surpresas. É um espetáculo bastante visual. Algo que você não está acostumado a ver numa apresentação. Então, não importa quantas vezes você já foi a um show meu, tudo acaba sendo novo e excitante.
Todos os clássicos? Sabe, isso não é muito comum. As bandas preferem tocar músicas dos últimos discos. E deixam os hits para o fim dos shows…
Não, não podemos fazer isso nunca! São 26 álbuns! Não podemos dar prioridade só para o novo trabalho. Vamos tocar tudo. Under My Wheels (do disco Killer, de 1971), No More Mr. Nice Guy (Billion Dollar Babies, 1973), são algumas das músicas do show.


Mas como criar algo diferente nesta parte teatral? Coisas como as cobras, fogo, etc…
Na realidade, estamos sempre tentando criar alguma coisa nova para o show. Uma surpresa diferente. Fazemos isso todas as vezes. Imagina se ficarmos repetindo todas as noites? Vai ficar chato. Não queremos cair nessa rotina.


Você é considerado o pai desse estilo de show de rock teatral. De onde veio essa ideia toda?
Eu sempre achei que o público deveria ter o seu dinheiro investido no ingresso bem empregado. Não apenas ir ao show e ver a banda ali, parada. Assim, eles vão usar uma camiseta com o nome da banda. Desde sempre nos propomos a fazer um show completo. Com toda a atmosfera teatral, com luzes, animais e, claro, música.


Você espera que as pessoas tenham medo no seu show?
Não é medo. É um pouco de comédia também. Antigamente, era diferente, era mais assustador, mas também era engraçado. Sempre fiz questão de ter comédia, além do terror. Algumas bandas esqueceram de colocar a comédia no palco. É um erro. Hoje em dia, o noticiário da CNN é mais chocante. O que fazemos é entreter o público, tirar essa seriedade toda.


Não é de hoje que bandas imitam a sua performance no palco, como Kiss, nos anos 70, e Rod Zombie e Marilyn Mason, mais recentemente. O que pensa disso?
De verdade, eu costumo falar que eles são meus filhos desobedientes. Os caras do Rob Zombie são uns dos meus melhores amigos no meio musical. Gosto muito do que eles fazem, assim como o Marilyn Mason, o Mötley Crüe, a Lady Gaga, são grandes amigos…


Lady Gaga?!?!
Sim! Ela foi a um show meu, apareceu no backstage e veio me agradecer. Disse que foi muito inspirada por Alice Cooper. Achei incrível. Ela faz a versão dela dessa performance teatral no palco.


E por que você os classifica como ‘filhos desobedientes’?
Eu fui numa direção e Mötley Crüe seguiu uma outra linha. Eu fui aquele que nunca entrei em problemas com a polícia, etc…


Você diz problemas com coisas como drogas e álcool?
Sim, claro. É como eu estar com uma banda, como esta que me acompanha hoje… eu não vou contratar alguém que usa drogas. Porque quando formos entrar em turnê, ele vai ser um problema. Não estou falando de beber uma cerveja. Isso não é problema para ninguém. Mas se você está numa banda grande, estar bêbado sempre não funciona no show. Não dá.


Mas isso antigamente era normal no meio musical, não?
Mas eram os anos 70. Naquela época, todo mundo estava ligadão. Agora não estamos mais.


Você teve problemas com álcool. O que te fez parar de beber?
Eu simplesmente acordei numa manhã e vomitei sangue. Aquilo me fez perceber que meu corpo estava morrendo. Fui ao médico e ele disse: ‘Se você não parar de beber, irá morrer em duas semanas’. E era uma época em que testemunhei amigos meus morrendo, como Jim Morison e Jimmy Hendrix. Daí, eu decidi parar. Isso foi em 1981. Não bebo há 30 anos.


Como você é fora dos palcos?
Sou um cristão normal. Quando eu for para São Paulo, você vai ver. Vou fazer compras, jogar uma partida de golfe. O que acontece é que, quando eu viro Alice Cooper, preciso me tornar um vilão. Sou como o Darth Vadder, do Guerra nas Estrelas, ou como o Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes. Eles são vilões. Eu adoro fazer essa transformação.


Com que frequência você joga?
Jogo golfe seis dias por semana. Jogo com o Tiger Woods e com outros os golfistas.


Por que escolheu esse esporte?
Quando estamos em turnê, não conseguimos sair para jogar basquete. É mais fácil achar um campo de golfe. Vou lá, joga por algumas horas e depois vou para o show. Muitos músicos jogam: Lou Reed, Huey Lewis (da banda Chicago), Neil Young, Meat Loaf. Até agora, eu sou o melhor (risos).


Dá para ser um rock star e ter alguma religião?
Dá, sim. Sou protestante. Não existe nada na Bíblia que diga que você não pode ser um cantor de rock’n’roll. Entendo que Deus me deu um talento e espera que eu o use. O meu show não tem nada de anticristo. Muito pelo contrário, acho até bem cristão.


As pessoas estão mais acostumadas com roqueiros com atitudes como a do Marilyn Mason, que costuma dizer por aí é que o próprio anticristo, né?
Acho que cada um escolhe a própria religião. Não sei qual é a religião do Mason, não consigo dizer o que ele é, o que ele pensa.


Como é na igreja? As pessoas te olham de forma diferente?
Algumas não gostam. Mas a maioria me olha como mais um cristão. Existem advogados cristãos, médicos cristãos. Sou um cantor de rock cristão. Sempre oro antes dos shows. Oro todos os dias. Leio a Bíblia de manhã e à noite. E dou aulas de cristianismo, às vezes. Meu pai era pastor, meu avô também. Isso é algo de família.


Fonte RockNews